SAUDADE DA MINHA INFÂNCIA
AUTOR: WAGNER WILKER
I
Há quem diga que hoje
É melhor que antigamente
A modernidade que vivemos
Se consegue tudo facilmente
Tenho saudade da minha infância
Isso não me sai da mente
II
Não tinha nada moderno
Feito o tal do smartphone
Não se ouvia nem falar
Da maçã do iphone
Dois copos e um barbante
Era isso nosso telefone
III
O carrinho era de rolimã
O patinete de madeira
Acompanhado ou sozinho
Se descia a ladeira
Arrancava a cabeça do dedo
Era assim a brincadeira
IV
Uma lata de leite Ninho
Virava rolo compressor
Com caixa de remédio
Se fazia um robô
Não existia essa sede
Pelo tal computador
V
Falando em computador
O que a gente usava
Era uma folha de papel
Que numa ponta enrolava
Era assim que na infância
A gente datilografava
VI
Futebol na infância
Era mais que paixão
Nas peladas com amigos
Ou na televisão
Mas o melhor de tudo
Era jogo de botão
VII
Jogava bola na rua
Arrancava a cabeça do dedão
Se colocava Merthiolate
Pois era a única solução
Pra depois sair brincando
De polícia e ladrão
VIII
No terreiro da nossa rua
De terra dura e batida
Com bicicleta sem freio
Se apostava corrida
No final de cada volta
A canela ficava ferida
IX
Tinha um bom carrinho
Era uma diversão diária
Feito com garrafa branca
Da famosa água sanitária
Fazia um barulho danado
Era uma diversão hilária
X
Outro carrinho famoso
Era a tal da "Baratinha"
Feita com lata de óleo
Uma mola e quatro rodinha
Era a sensação do bairro
Todo mundo dela tinha
XI
Tinha uma tal de cruzada
Que era riscada no terreiro
Se alguém pisasse na linha
Tinha que correr ligeiro
Era cada cacetada
Que nas costas ficava os dedo
XII
Não podemos esquecer
Do nosso querido pião
Que era lançado no ar
Ou até mesmo no chão
E o que encantava
Era rodá-lo na mão
XIII
Pique esconde, pega pega
Queimada e barra bandeira
Tudo era motivo de festa
Se valia da brincadeira
Até mesmo no São João
Soltava fogo e pulava fogueira
XIV
Falando em festa junina
Nessa época se brincava
De soltar peido de véia
Traques bebé e de sala
Acendia até chuvinha
Que de noite clareava
XV
Quem não comprava fogos
Qualquer coisa inventava
Amarrava bombril no cordão
Tocava fogo e rodava
Era uma grande festa
Para toda criançada
XVI
O buraco era a milóia
O jogo era bola de gude
De tanto tocar no chão
A mão ficava com grude
Depois tudo terminava
Num belo banho de açude
XVII
Se tinha vento era hora
Da pipa a gente soltar
A disputa era grande
Pra linha do outro cortar
Era um tempo de alegria
Muito difícil de voltar
XVIII
Seu Rei mandou dizer
Se brincava toda hora
As meninas com elástico
Os meninos com a bola
De tanto a gente brincar
Não se via o passar da hora
XIX
Tinha mímica, morto vivo
Pêra, uva, mação ou salada mista
Corrida de saco, pau de sebo
Aposta de atravessar a pista
Tinha até mesmo o momento
De imitar o seu artista
XX
O famoso jogo da forca
Jogo da velha, quente e frio
Tinha peteca, perna de pau
Bambolê, telefone sem fio
Brincava até de adivinhar
As cidades do Brasil
XXI
Amarelinha, adedonha
Cinco Marias e andoleta
Estátua, iô-iô, ciranda
Cabo de aço, dança da cadeira
Tinha hora de jogar apostado
Ganhando dinheiro na roleta
XXII
Mesmo naquela época
Nos redemos a modernidade
O mine game era portátil
E divertido de verdade
Mas para jogar vídeo game
Era preciso maturidade
XXIII
Com água e detergente
Fazia bolinha de sabão
Brincava de passa anel
Passando de mão e mão
Corrida com ovo na colher
Era muita diversão
XXIV
Reunia os colegas
Pra jogar pega vareta
Depois tinha dominó
E também quebra-cabeça
E o mais valioso de tudo
A amizade era verdadeira
XXV
Se aqui fosse retratar
a alegria de antigamente
Passaria a vida inteira
Falando do tempo da gente
Da Saudade da Minha Infância
Que não sai da minha mente
XXVI
Um época muito boa
E de muita importância
Não se tinha maldade
Era alegria em abundância
Por isso até hoje sinto
Saudade da Minha Infância

Comentários
Postar um comentário